Você está aqui:

Últimas Notícias

Left direction
O atleta é responsável por toda e qualquer substância encontrada em seu organismo. A preocupação com o doping deve ser tema constante na vida do atleta profissional. Dentro deste escopo foi ao ar em 16/11/2013 a matéria da Band sobre doping! Dr. Cristiano aponta a importância do tema. Confi...
      Clube de Atletismo BM&FBOVESPA faz parceria com CBAT e CPB   As duas parcerias, formalizadas nesta quinta-feira (20/2), com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), consolidam o CT de São Caetano do Sul do Clube de...
O Brasil assistiu ao coroamento do bicampenato mundial em pista coberta, no salto em distância, do atleta Mauro Vinicius Hilário da Silva, o Duda, no último sábado dia 08 de março. Duda se tornou o o primeiro atleta bicampeão mundial brasileiro, passando a ser o terceiro atleta do mundo a c...
No dia 29 de março foi realizado o Curso de Extensão em Traumato-Ortopedia  - CETO, organizado pelo departamento de Ortopedia da UFRJ e coordenada pelos drs. Cesar Fontenelle e Petro Mannarino. O evento foi realizado no auditório da academia Body Tech no Shopping Cittá América no período da ...
Entre os dias 2 e 3 de abril de 2014 aconteceu em Cartagena de Índias, Colômbia, a 3a Reunión Latino Americana de Inflamación & Dolor - Pain Academy 2014.  Médicos da América Latina especialistas em Ortopedia e traumatologia, fisiatras, nutricionistas, intensivistas e anestesiologistas discu...
Sanofi, farmacéutica comprometida por el cuidado de la salud y el bienestar de las personas, organizó del Primer Congreso de Cuidados de Salud Primarios, dictado por especialistas de trayectoria internacional, que se llevó a cabo en la ciudad de Manta. El evento contó con la presencia de más ...
Dr Cristiano Laurino fala sobre a "A arte de correr" na 1a edição da revista Podium. Clique aqui para ler o artigo...
O Brasil conquistou na tarde deste domingo dia 3 de agosto de 2014 o oitavo título em 16 edições do Campeonato Ibero-Americano Caixa de Atletismo, disputado no Estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera, em São Paulo. A equipe somou 48 medalhas, sendo 16 de ouro, 17 de prata e 15 de bronze. ...
A Revista IstoÉ, publicou matéria no dia 09/08/2014, abordando os aspectos envolvidos no sucesso do Clube de Atletismo BM&FBOVESPA. O artigo aborda a importância do investimento consciente em todos os aspectos que vão desde a formação até o desenvolvimento de atletas de alto rendimento. Cli...
A corrida de rua já é praticada por cerca de 4 milhões de pessoas no Brasil, um público que movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano. Previna-se de lesões e cuide da sua saúde. Clique aqui para ler a matéria completa. (Revista Mulher - ago 2014) Dr. Cristiano Frota de Souza Laurino...
A corrida não é inócua, como muitos acham. A incidência de lesões em um ano de prática regular de corrida varia de 26% a 92%, conforme as mais diferentes pesquisas feitas com corredores de todo tipo, amadores ou profissionais. Joelhos e tornozelos são as partes mais afetadas – por isso, qu...
  A atleta do Clube de Atletismo BM&FBOVESPA, Fabiana Murer é campeã da Diamond League 2014!  Fabiana vence pela segunda vez em sua carreira, sendo a primeira em 2010. Campeã Mundial Indoor em 2010 em Doha (Qatar) e Campeã Mundial em 2011 (Coréia do Sul), é a atual líder do ranking mu...
O Clube de Atletismo BM&FBOVESPA conquistou em 2014, três títulos mundiais.Mauro Vinicius da Silva (DUDA) , ouro no mundial indoor (Polônia) no salto em distância Izabela Rodrigues da Silva, ouro no Mundial Juvenil (EUA) no lançamento do disco Fabiana Murer, campeã da Diamond League no salt...
Aconteceu na cidade de Viña del Mar (Chile) nos dia 26 e 27 de setembro, a 1a Jornada de Traumatologia - Sanofi - Chile 2014. O dr. Cristiano Laurino ministrou palestra sobre o tema: "Muscle lesions in Sports: State of the art on treatment & looking at the future". Clique aqui para ver o program...
O Clube de Atletismo BM&FBOVESPA conquistou o 13º título consecutivo do Troféu Brasil, neste domingo (12/10), com 534 pontos, à frente do Pinheiros (399) e da Orcampi/Unimed (238,5). Na somatória da categoria feminina a disputa foi um pouco mais equilibrada, mas o Clube de Atletismo BM&FBOVES...
  O Dr. Cristiano Laurino escreve artigo sobre as fraturas por estresse na edição de outubro da revista Podium. Clique aqui para ler o artigo completo          E-mail                ...
Right direction

As Lesões do Joelho no Esporte

AS TENDINOPATIAS DO JOELHO

INTRODUÇÃO

Os tendões são estruturas complexas formadas de células mergulhas numa matriz de proteínas e fibras de tecido colágeno na sua composição principal e desempenham uma importante função nos movimentos. Não há movimento sem que ocorra a participação dos tendões na transmissão de forças geradas nos músculos.

As propriedades mecânicas dos tendões recebem contribuições reais do treinamento esportivo, tais como: o aumento da resistência ao carregamento mecânico, o aumento da tolerância à exercícios extremos e a prevenção de lesões. Portanto, há contribuições reais do treinamento sobre as propriedades mecânicas dos tendões, porém determinadas cargas supra- fisiológicas podem acarretar lesões celular.

A ETIOPATOGENIA DAS TENDINOPATIAS

Há muitas publicações que discutem a etiologia, o diagnóstico e o tratamento de várias formas de tendinopatia, mas poucas são baseadas em evidências científicas. Muitas lesões tendinosas dolorosas são consideradas resultantes de micro traumatismos, frequentemente descritas como “overuse”.

As propriedades biomecânicas do tendão são descritas na curva de estresse deformação. Cargas fisiológicas frequentemente causam menos do que 4% de aumento no comprimento do tendão. Estiramentos superiores a 4 % resultam em lesão de uma ou mais bandas fibrosas e estiramentos superiores a 8 -12% resultam em rupturas completas do tendão. Estresses fisiológicos sobre o tendão provocam deformações elásticas, no entanto elevados níveis de estresse induzem lesões diversas nos diferentes tendões e são afetadas por fatores, como: a idade, o número e a qualidade das ligações cruzadas.

Alguns mecanismos são propostos para explicar o fenômeno doloroso nas tendinopatias como: o aumento da inervação (neoinervação), o aumento da vascularização (neoangiogênese), o aumento da produção de substância P (SP), aumento da produção de prostaglandina E2 (PGE2), o aumento das concentrações de receptores de glutamato, a fenotipia condrocítica (tendões com fenotipia de cartilagem) e fatores mecânicos. A maioria dos estudos nas tendinopatias crônicas falhou em demonstrar infiltrados inflamatórios em tendões humanos biopsiados.


FATORES DE RISCO

A tendinopatia pode ser associada a uma variedade de fatores de risco extrínsecos e intrínsecos Os fatores intrínsecos estão relacionados às características individuais como: o índices de massa corpórea elevados, a assimetria de membros, a genética individual, o sexo, a auto-imunidade, os distúrbios metabólicos (alteração do perfil lipídico) e a frouxidão articular.

82380013

QUADRO CLÍNICO

A história clínica é marcada por episódios de dor localizada ou difusa, algumas vezes severa, ao longo do tendão durante ou após o esforço. Também se observa a ausência total de sinais e sintomas antecedendo a ruptura tendínea.

O paciente apresenta diminuição progressiva do rendimento esportivo, diminuição da força e sensação de enrijecimento ou tensão aumentada sobre o tendão, que geralmente diminui após o aquecimento. Os achados de exame físico mais frequentes nas tendinopatias são: dor localizada, edema, espessamento, assimetrias e deformidades (rupturas totais).

A palpação é dolorosa com freqüência em determinados pontos específicos, como o pólo inferior da patela, a tuberosidade da tíbia, o pólo superior da patela, o epicôndilo lateral do fêmur e a cabeça da fíbula.

A extensão do joelho ativa contra resistência apresenta-se com dor localizada durante determinado ângulo ou durante todo o movimento.

O termo “jumper’s knee” ou “ joelho do saltador” foi descrito inicialmente por Blazina, e passou a designar algumas afecções peripatelares (ligamento patelar e menos frequentemente no tendão do músculo quadríceps). As localizações preferenciais são a transição ósteo-ligamentar (patela e ligamento patelar), o terço médio do ligamento patelar e a inserção na tuberosidade tibial.

Joelho_ant_lat_camada_11_tit

Os grupos de risco envolvidos nas patologias do aparelho extensor abrangem atletas ou praticantes de esportes envolvidos em atividades repetitivas com sobrecarrega do mecanismo extensor do joelho, tais como saltos, corridas e chutes.

Os esportes mais acometidos por tendinopatias são são: o atletismo, o vôlei, o basquete, o handebol, o futebol e o tênis. As modalidades do atletismo mais frequentemente acometidas pelas tendinopatias do aparelho extensor são: as modalidades de saltos (distância, triplo, altura), as modalidades com barreiras e obstáculos (100m, 110m, 3000m) e as corridas de longa distância.

Os fatores biomecânicos, como: picos de tensão durante o impulso e aterrissagem, ângulos de flexão do joelho, eixo anatômico e os momentos em valgo do joelho, também podem promover o aparecimento de micro a macro- rupturas do ligamento patelar.

Os sintomas são subdivididos em três estágios, assim distribuídos pela classificação de Blazina:

Estágio 1. Dor apenas após as atividades esportivas. Ausência de limitação funcional.

Estágio 2. Dor durante e após as atividades. Habilidade para a realização de atividades dentro de um nível satisfatório.

Estágio 3. Dor prolongada durante e após as atividades. Incapacidade progressiva de realizar atividades dentro de um nível satisfatório.

Roels acrescentou à classificação de Blazina, o estágio 4, caracterizada pela ruptura parcial ou completa do ligamento da patela. A

ruptura parcial do ligamento patelar é um importante diagnóstico diferencial das dores localizadas na região anterior do joelho.

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

As técnicas de diagnóstico por imagem permitem a melhor identificação das lesões, estadiamento e seguimento clínico.

As radiografias simples em duas ou mais posições permitem a identificação da altura da patela, alinhamento, congruência articular, presença de osteófitos marginais e alterações ósseas degenerativas.

A ultrasonografia é um método dinâmico examinador dependente , importante para o diagnóstico, avaliação funcional, seguimento do tratamento e avaliação da nutrição vascular.

A ressonância magnética é considerada por muitos o padrão ouro de diagnóstico das tendinopatias, embora seja um método de custo elevado, estático (não permite a realização de movimentos enquanto é realizada) e com limitações de curto e médio prazo no seguimento do processo de reparo.

Lu0

TRATAMENTO

A abordagem terapêutica da tendinopatia é dificultada em função dos múltiplos fatores envolvidos nas lesões. Os atletas e pacientes portadores de tendinopatias geralmente desconhecem as características da patologia do tendão e sua evolução.

Os objetivos do tratamento das tendinopatias são: a reversão da progressão da doença do tendão, o retorno aos níveis de atividade pregressos sem restrições, a prevenção das recidivas e informar ao paciente sobre as características e evolução de sua patologia.

O tratamento clínico das tendinopatias abrange: • Medicação analgésica e/ou antiinflamatória • Fisioterapia: as modalidades amplamente empregadas no tratamento das tendinopatias são: a crioterapia, a cinesioterapia, a fonoforese (uso tópico de antiinflamatórios, em forma de cremes ou de pomadas), a iontoforese (associação de medicamentos com a corrente terapêutica), os exercícios de alongamento e os exercícios de fortalecimento muscular.

• substituição por exercícios de menor intensidade sobre o tendão e a realização de atividades aquáticas também contribuem para a melhora dos sintomas.

• Injeções esclerosantes de polidocanol, os adesivos de óxido nítrico, a terapia de ondas de choque a acupuntura. Os objetivos das cirurgias para o tratamento da tendinopatia patelar, são: a excisão de adesões fibróticas, a remoção de tecido degenerado e estimulação do processo de cicatrização.

Nas rupturas tendíneas totais ou subtotais, a intervenção cirúrgica precoce e adequada permite a recuperação do movimento e da força. Reparos e reconstruções são indicadas nas roturas parciais ou totais e os avanços recentes nas técnicas cirúrgicas permitem a reabilitação mais precoce dos pacientes operados.

SÍNDROME DO ATRITO DA BANDA ILIOTIBIAL

A banda iliotibial (BIT) é uma faixa de tecido fibroso que se origina na crista ilíaca e a partir dos músculos tensor da fáscia lata, glúteo máximo e médio. A inserção localiza-se na linha áspera, tíbia (tubérculo de Gerdy) e na fíbula proximal.

A síndrome do atrito da banda iliotibial (SBIT) é uma lesão por sobrecarga da BIT e considerada uma das causas mais frequentes de dor na região lateral do joelho do corredor. A inflamação surge na região lateral do joelho e se caracteriza por dor localizada na zona em torno do epicôndilo lateral do fêmur. A bursa representa uma extensão da membrana capsular sinovial, localizada no recesso lateral, e funciona como uma interface entre a banda iliotibial e o epicôndilo lateral do fêmur.

Ao flexionar-se o joelho em torno de 30o, a BIT posiciona-se posteriormente ao epicôndilo lateral do fêmur, enquanto que durante a extensão, o BIT passa a posicionar-se à frente do mesmo. Portanto o movimento de flexo-extensão do joelho pode promover um atrito entrea BIT, a bursa e o epicôndilo lateral do fêmur.

STIT

Os esportes mais frequentemente acometidos são o atletismo (corridas de fundo, maratonas, corridas de cross-country), o triatlo e o ciclismo.

Entre os corredores, até 12 % apresentam a SBIT ao menos uma vez durante a atividade esportiva e, portanto é chamada também de “joelho do corredor”.

A dor é o sintoma mais frequente e localiza-se na face lateral do joelho, 2 a 3 cm acima da linha articular. O início da dor se manifesta durante a corrida, que piora progressivamente e limita a distância programada ou as velocidades mais elevadas. Alguns fatores de piora da dor são: as corridas em aclive ou declive, os aumento da comprimento das passadas, sentar-se por longos períodos com o joelho flexionado.


Banda_iliotibial

Podemos considerar alguns fatores intrínsecos predisponentes como: a tensão aumentada da BIT, o geno varo, o epicôndilo lateral proeminente, o pé cavo, a pronação aumentada do pé e tornozelo, a assimetria dos membros inferiores, a tensão aumentada dos flexores do quadril (iliopsoas), a tensão aumentada extensores do quadril (músculos glúteos), a tensão aumentada dos rotadores (piriforme), a fraqueza dos abdutores do quadril, o aumento dos picos de adução do quadril, o que significa a limitação da habilidade dos abdutores do quadril em contrabalançar excentricamente os adutores durante a corrida.

Dentre os fatores extrínsecos predisponentes, salienta-se a intensificação súbita dos treinamentos (velocidade, distância, frequência), as mudanças de superfície (superfícies moles para duras ou planas para inclinadas), corridas em terrenos irregulares e com declives.

Os sinais e as manobras clínicas mais encontradas são:

1. A identificação e compressão dolorosa da região em torno do epicôndilo lateral do fêmur.

IMG_3692Matt-web1

2. Teste de Noble:dor à palpação do epicôndilo lateral ao se movimentar o joelho em flexo-extensão, evidenciando a dor aos 30o de flexão com o paciente supino.

3. Dor ao movimento de flexo-extensão com apoio monopodálico, evidenciando-se a dor aos 30o de flexão com o paciente supino.

4. Dor ou incapacidade na realização de um salto monopodálico. 5. Teste de Renee:dor à palpação do epicôndilo lateral durante o movimento de flexo-extensão aos 30o de flexão, com apoio monopodálico sobre uma plataforma.

6. Teste de Thomas: teste utilizado para avaliar o músculo iliopsoas,o reto femoral, os abdutores do quadril e a BIT. O teste é considerado positivo quando o paciente, ao flexionar o joelho 90o na mesa de exame em posição supina, não consegue manter o ângulo do quadril contralateral em neutro ou até 15o de abdução.

Nos casos crônicos, pode haver uma contratura da BIT e limitar alguns movimentos do membro inferior. O teste de Ober + caracteriza a contratura da banda iliotibial.

O exame de ressonância evidencia hipersinal em T2 e espessamento da BIT na fase crônica.

O tratamento clínico abrange o controle da dor através do uso de analgésicos, antiinflamatórios ou infiltrações com corticosteróides. O repouso relativo está indicado até que ocorra uma melhora dos sintomas.

A fisioterapia abordará métodos de analgesia, alongamentos (banda iliotibial, reto femoral e iliopsoas), correção de anormalidades biomecânicas, fortalecimento (abdutores do quadril com ênfase ao músculo glúteo médio e exercícios excêntricos), a fonoforese, iontoforese, massagem local e cinesioterapia. A hidroterapia também pode ser empregada.

injury_ice2

Após a melhora dos sintomas, é importante que haja a correção da biomecânica da corrida (utilização de órteses para os pés e as modificações do calçado), a adequação ergonômica eficiente entre o atleta e sua bicicleta (regulagem da posição dos pés nos pedais, da altura do assento para reduzir a flexão do joelho em cada pedalada) e a atenção e correção dos fatores predisponentes.

itb

Raramente a cirurgia está indicada, sobretudo quando não houver sucesso no tratamento clínico. Consiste na ressecção parcial (fibras posteriores) da BIT na altura do epicôndilo lateral do fêmur e ressecção da bursa.

LESÕES MENISCAIS

INTRODUÇÃO

Os meniscos do joelho foram descritos inicialmente como “estruturas vestigiais sem função” e desta maneira foram rotineiramente removidos durante cirurgias realizadas entre 1800 e o início do século XX.

As ressecções totais dos meniscos (meniscectomias totais) realizadas por via aberta continuaram inabaláveis até o ano de 1936, quando King demonstrou as alterações degenerativas do joelho, que surgiram após as cirurgias, apontando para a necessidade dos cirurgiões preservarem os meniscos, realizando reparos e não mais ressecções.

A distribuição das lesões meniscais entre indivíduos do sexo masculino e feminino ocorre na relação de 2,5 a 4:1 e geralmente as lesões agudas são mais prevalentes na faixa etária dos 20 a 30 anos nos homens, enquanto que as lesões degenerativas são mais prevalentes nos indivíduos com idade superior a 40 anos. O menisco lateral apresenta formato circular e confere maior congruência articular em decorrência dos formatos convexos dos côndilos tibial e femoral.

A mobilidade do menisco lateral é consideravelmente maior do que o menisco medial devido a sua menor fixação no hiato poplíteo, permitindo uma excursão maior do que 1 cm quando comparado ao menisco medial. O menisco medial por sua vez apresenta uma fixação circunferencial e sua mobilidade é mais restrita a 5 mm. Esta diferença de mobilidade tende a explicar a maior predisposição do menisco medial a lesões, quando comparado ao menisco medial.

PROPRIEDADES DOS MENISCOS

Os meniscos apresentam muitas funções importantes, dentre elas: transmissão de carga, estabilidade articular, propriocepção, lubrificação articular e distribuição de nutrientes.

O papel biomecânico que o menisco desempenha no joelho é de particular importância na determinação do seguimento clínico de uma meniscectomia.

As funções dos meniscos estão intimamente ligadas a sua composição e anatomia. Os estresses circunferenciais, que se formam durante o carregamento axial do joelho, permitem que forças tênseis sejam direcionadas ao longo do maior eixo destas fibras colágenas, gerando resistência.

Os meniscos apresentam função crítica na transmissão de cargas no joelho. Durante a aplicação de carga à articulação, os côndilos tibiais e femorais aproximam-se e comprimem os meniscos. A forma do menisco medial aumenta a congruência entre o côndilo femoral relativamente convexo com um planalto tibial relativamente plano, ampliando a superfície de transmissão de cargas axiais.

Os meniscos também funcionam como restritores secundários ao movimento de translação anterior da tíbia nos joelhos que apresentem insuficiência do ligamento cruzado anterior. A concomitância das lesões do ligamento cruzado anterior nas deficiências meniscais ocasionam um padrão de instabilidade rotatória ântero-medial.

Os meniscos também possuem papel na estabilização varo-valgo do joelho. Outra função meniscal importante é a propriocepção do joelho com mecanoceptores localizados na inserção capsular. A terceira e não menos importante função meniscal é a contribuição para a lubrificação da cartilagem articular normal, distribuindo o líquido sinovial.

CLASSIFICAÇÃO DOS PADRÕES DE LESÕES MENISCAIS

As lesões meniscais são geradas por excessivas forças de compressão e cisalhamento sobre meniscos normais ou degenerados.

Podemos classificar as lesões meniscais pelo padrão e pela localização. Os padrões de lesão incluem: oblíqua, radial, longitudinal, horizontal e complexa. A localização é definida pelo suprimento vascular do menisco. Por convenção, a lesão é descrita baseada na presença (vermelha) ou ausência (branca) de suprimento sanguíneo capilar. As lesões são então descritas baseadas nas zonas: vermelha/vermelha (muita vascularização e grande potencial de cicatrização), vermelha/branca (próxima da margem, com suprimento vascular não ideal no centro da lesão) e branca/branca (ausência de vascularização).

Muitos testes foram descritos e utilizados ao longo dos anos no diagnóstico das lesões meniscais. Alguns pesquisadores tem demonstrado que a acurácia dos testes clínicos fica entre 0% e 95%. Podemos citar como testes clínicos para o diagnóstico das lesões meniscais:

• Limitação da extensão total ou da flexão total, com os extremos do movimento dolorosos.

• Teste de Smilie: palpação dolorosa da interlinha articular

• Teste de McMurray: compressão axial com rotação da tíbia em relação ao fêmur, com a sensação palpatória ou audível de estalido na interlinha articular. Utilizado para diagnosticar a lesão do corno posterior do menisco. O paciente permanece em decúbito dorsal, quadril flexionado cerca de 40 graus e joelho totalmente flexionado.

• Teste de Apley: dor à compressão axial da tíbia e rotação medial ou lateral em decúbito ventral, com joelho flexionado mais do que 90o. (Figura 4)

• Sinal do “Centroavante”: impossibilidade de flexionar totalmente o joelho acometido, mantendo uma posição de flexão parcial.

• Sinal de Steiman I: manobra de rotação lateral da perna com o joelho flexionado 90 graus. A presença de dor na interlinha medial ou lateral durante a manobra evidenciam a lesão meniscal. (Figura 5)

• Sinal de Steiman II: Palpando-se a interlinha no ponto doloroso, realiza-se flexão e extensão joelho, o que promove a migração do ponto doloroso. Alguns estudos comparando a acurácia dos testes clínicos de rotina (dor à

palpação da interlinha articular, teste de McMurray e teste de Apley) com a artroscopia revelam discrepâncias na habilidade clínica em detectar lesões meniscais isoladas, lesões meniscais na presença de lesões do ligamento cruzado anterior ou nas osteoartrites do joelho.

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

As imagens de um tecido meniscal normal à ressonância magnética (RM) manifestam um baixo sinal nas imagens ponderadas em T1 e T2. Nas crianças e adolescentes, há frequentemente áreas de hipersinal intra- meniscal encontrados nos meniscos normais, sem que signifique lesão.

A sensibilidade da RM aproxima-se de 95% no diagnóstico das lesões meniscais, o que permite classificá-las como: (Figuras 6 e 7)

Grau 0: menisco normal

Grau 1: hipersinal intrameniscal, porém sem atingir a superfície articular superior.

Grau 2: hipersinal intrameniscal, porém sem atingir a superfície articular inferior.

Grau 3: hipersinal intrameniscal atingindo a superfície articular, o que corresponde a lesão meniscal.

TRATAMENTO DAS LESÕES MENISCAIS As opções de tratamento das lesões meniscais incluem: tratamento não

operatório, meniscectomia parcial e reparo meniscal. Mais recentemente o transplante meniscal passou a ser uma opção de tratamento em alguns centros no mundo.

As indicações de tratamento não cirúrgico incluem lesões estáveis, lesões de espessura parcial, lesões degenerativas assintomáticas e lesões cujos sintomas são bem tolerados pelo paciente.

O tratamento cirúrgico das lesões meniscais está indicado nas situações de persistência dos sintomas após tratamento conservador (redução ou limitação das atividades esportivas, utilização de medicamentos analgésicos e antiinflamatórios, fisioterapia), persistência da dor, bloqueio articular e manobras e testes especiais positivos.


AS LESÕES DO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR

INTRODUÇÃO A crescente tendência à prática esportiva aliada à complexidade cada vez maior dos gestos esportivos vem provocando o surgimento crescente de lesões articulares do joelho. O ligamento cruzado anterior figura entre os mais acometidos, assim como, uma das estruturas lesionadas mais debilitantes para o retorno à prática esportiva.

A função dos ligamentos cruzados é assegurar um movimento normal entre as superfícies articulares fêmoro-tibiais. O LCA é o restritor primário da translação anterior da tíbia, limita a hiperextensão, atua como um restritor secundário da rotação tibial medial, dos movimentos de adução e abdução com o joelho na extensão máxima e funciona como um tutor do movimento rotacional de “screw home” no final da extensão do joelho.

O LCA nativo possui uma rigidez entre 80-240 N/mm e um a taxa de estiramento de 20% antes da ruptura. Os maiores valores de rigidez são encontrados nos joelhos jovens e maduros, enquanto os valores menores são encontrados nos pacientes com idade superior a 60 anos. As forças que agem sobre um LCA intacto variam de 100 N durante a extensão passiva do joelho a aproximadamente 400N durante uma caminhada e até 1700N durante atividades com movimentos rotacionais e mudanças bruscas de direção.

MECANISMOS DE LESÃO

As lesões do ligamento cruzado anterior (LCA) são comuns e aproximadamente 70% destas lesões ocorrem no esporte. Entre 70% e 90% das lesões de LCA são geradas nas situações sem contato, onde não há contato direto contra o joelho, quando a lesão ocorre.

As lesões do LCA estão freqüentemente associadas a lesões de outras estruturas (meniscos, ligamentos e cartilagem), já que as lesões isoladas são raras.

A incidência de lesões do LCA é relativamente alta nos esportes como: basquete, futebol, voleibol, esqui, wakeboard, onde há freqüência elevada de aterrissagens, desacelerações e mudanças rápidas de direção.

A maioria das lesões de LCA é secundária a uma ou mais das seguintes manobras: o pé apoiado no solo e o joelho próximo da extensão máxima, aterrissagem, desaceleração e mudança brusca de direção. A

aterrissagem uni ou bipodálica, associada à semi-flexão, estresse em valgo e rotação externa-interna do joelho caracteriza o movimento com maior prevalência de lesão do LCA.

A incidência das lesões sem contato do LCA no sexo feminino tem sido descrita como 6 a 8 vezes maior que nos homens, competindo nos mesmos esportes. As diferenças entre os sexos tem sido descritas na literatura com relação aos padrões de movimento, posições e forças geradas à partir do quadril, tronco e joelho.

FATORES DE RISCO

Os fatores de risco potenciais às lesões de LCA sem contato podem ser classificados em ambientais (equipamento, interações calçado/solo), anatômicos (ângulo do joelho, ângulo do quadril, frouxidão ligamentar, dimensão do sulco intercondilar), hormonais e biomecânico (força muscular, movimento corporal, controle neuromuscular)

A incidência das lesões sem contato do LCA no sexo feminino tem sido descrita como 6 a 8 vezes maior que nos homens, competindo nos mesmos esportes. As diferenças entre os sexos tem sido descritas na literatura com relação aos padrões de movimento, posições e forças geradas à partir do quadril, tronco e joelho.

As diferenças dos fatores de risco biomecânicos entre os sexos ainda geram dúvidas quando à real interferência nas lesões de LCA. Entretanto, os programas de fortalecimento e propriocepção, que estimulam a ação muscular isquiotibial e glútea durante as aterrissagens e mudanças de direção, foram introduzidos recentemente nos treinamentos de algumas modalidades esportivas e têm se mostrado promissores na prevenção de lesões do LCA.

QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO

O paciente refere dor imediata após o evento provocador da lesão do LCA, apresentando uma sensação de estalido ou som audível. O inchaço secundário à hemartrose é observado algumas horas após o momento da

lesão, provocando piora dos sintomas dolorosos e limitação funcional. Alguns estudos têm mostrado que as lesões de LCA estão associadas a 75% dos casos de hemartrose aguda.

As sensações de instabilidade, caracterizadas pelos falseios, são comuns durante as tentativas de retorno ao esporte, podendo se manifestar até nas atividades de vida diária.

O diagnóstico é feito através da história e exame físico. Alguns testes especiais podem ser utilizados no diagnóstico da insuficiência do LCA.

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

As radiografias são utilizadas para avaliar avulsões ósseas, embora o exame de ressonância nuclear magnética seja o método de diagnóstico por imagem de melhor sensibilidade e especificidade. (Figura 4)

Figura 4. Imagem de ressonância magnética do joelho com destaque para a rotura do LCA.

TRATAMENTO

A avaliação clínica e os exames subsidiários determinam o perfil das lesões existentes, embora a decisão quanto à forma de abordagem terapêutica deva ser ponderada à partir da análise de algumas variáveis como: a idade do paciente, o nível de atividade (sedentário, esportista recreacional, atleta competitivo, profissional), o grau de instabilidade, as lesões associadas, a disposição em participar de um programa de reabilitação pós-operatório e as expectativas futuras. O nível de atividade física do paciente constitui-se o fator isolado mais importante na decisão terapêutica da lesão do LCA.

Pacientes sedentários, sem anseios de prática desportiva poderão ser eleitos para um tratamento conservador, onde a fisioterapia apresenta suma importância no tratamento dos sintomas inflamatórios (dor e inchaço), restauração completa do arco de movimento, recuperação da hipotrofia muscular e retorno às condições funcionais satisfatórias nas atividades de vida diária.

As indicações para o tratamento cirúrgico das lesões de LCA são os pacientes com instabilidade sintomática para as atividades de vida diária e esportiva, desejosos de manter a atividade esportiva, além da falha do tratamento conservador. Os indivíduos com lesão total do LCA submetidos a meniscorrafia ou meniscectomia parcial, que pretendam retornar ao esporte tambem são indicados à reconstrução cirúrgica.

Diversas técnicas cirúrgicas têm sido desenvolvidas para o tratamento das lesões do LCA, embora os resultados finais dependam não só da técnica empregada, como também da reabilitação pós-operatória.

Com a evolução das técnicas cirúrgicas de reconstrução de LCA e os avanços da tecnologia, há hoje maior variabilidade de escolhas do enxerto. Devido ao fato de não haver um padrão-ouro, é importante entender as vantagens e desvantagens inerentes a utilização de cada enxerto, assim como a identificar das necessidades individualizadas de cada paciente.

FRATURAS DE ESTRESSE E SOBRECARGAS ÓSSEAS

FRATURA DE ESTRESSE DA TÍBIA PROXIMAL

A tíbia é o osso mais acometido pelas fraturas de estresse em atletas e representa 50% do total.

A localização das fraturas varia em função da modalidade esportiva praticada. Nos esportes de saltos (basquete, voleibol, atletismo), encontram- se fraturas no terço proximal.

A contínua remodelação óssea secundária às forças de tração e tensão aplicadas à tíbia pode desencadear sinais e sintomas decorrentes das reações de estresse ósseo. A dor localizada de caráter insidioso progride com as atividades de impacto e inicialmente se manifesta após o treinamento, mas, com a manutenção do estresse continuado, a dor será sentida durante a atividade esportiva, limitando assim a sua execução. A palpação da área envolvida apresenta freqüentemente um dolorimento difuso com edema associado.

O exame de ressonância magnética é a melhor técnica isolada para o diagnóstico de fraturas de estresse da tibia.

Alguns pacientes que apresentam imagens negativas de fraturas de estresse na RM, podem se beneficiar dos cortes tomográficos, com

identificação de áreas de osteopenia, considerados os achados mais precoces de fadiga da cortical óssea.

FRATURA DE ESTRESSE DE PATELA

As fraturas de estresse da patela são raras e representam 1,5% das fraturas patelares. Geralmente estão associadas à tendinopatia patelar e síndrome patelofemoral acometem indivíduos que mantêm a posição de flexão prolongada do joelho e contração do músculo quadríceps. Essa posição gera uma acentuada força de tensão anterior à patela e conseqüentemente uma força de compressão sobre a superfície articular.


{loadposition social}
 

                                                      mapa                   agenda                            mensagem

rssyoutubetwitterfacebook     SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS

 Rua Botucatu n. 591 conjunto 182 ver mapa
04023-062 Vila Mariana São Paulo (São Paulo SP)

Telefone : 11 50817850  
Fax: 50817850                                                                                                                                                                 

Facebook

Vídeo mais visto

Àrea Restrita

  • Registrar-se
    *
    *
    *
    *
    *
    Fields marked with an asterisk (*) are required.
  • Nós temos 31 visitantes online