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Pelve e Quadril

As dores na região da virilha e suas causas

As lesões na região da virilha representam até 6% de todas as lesões esportivas e a dor na virilha representa 10% de todas as visitas aos centros de medicina esportiva no mundo todo. Além disso, entre 27% ​​a 90% dos atletas de várias modalidades esportivas, com história de dor crônica na virilha, também apresentam outras patologias coexistentes.

Ao se avaliar um paciente com dor na região da virilha como queixa principal, é importante realizar uma história clínica completa que oriente o exame físico e os exames diagnósticos complementares.

A história dos sintomas deve ser caracterizada em termos de início, localização, qualidade, intensidade, fatores de melhora e de piora e a presença e padrão da irradiação da dor. A localização e a qualidade da dor podem ajudar a distinguir entre as fontes intra e extra-articulares da mesma.

O início agudo da dor apresenta um diagnóstico diferencial distinto da dor crônica na virilha. As fontes tanto músculo-esqueléticas e não-músculo-esqueléticas da dor na virilha devem ser considerados.

As patologias intra e extra-articulares estão associadas com diferentes etiologias, e desta forma torna-se fundamental a distinção entre elas.

A patologia intra-articular é geralmente implícita com a dor na região anterior da virilha ou a dor inguinal, que normalmente é sentida profundamente dentro da articulação do quadril e que pode eventualmente irradiar para o joelho. Os portadores de lesões intra-articulares, muitas vezes, indicam a sua dor com o sinal “C”, que é formado pelo posicionamento da mão sobre o quadril na forma da letra C. O dedo indicador ipsilateral é posicionado sobre a área da virilha do lado afetado, com o polegar colocado proximalmente ao trocânter maior. Os pacientes também podem relatar dor ao ficar em pé ou apoiar o peso sobe o lado afetado e durante atividades que exigem movimentos com giros ou torções, como o golfe, basebol, os esportes de raquete, os esportes coletivos e as artes marciais.

A presença de sintomas mecânicos (por exemplo, a sensação de fisgada ou de travamento) é sugestivo de lesões do labrum acetabular ou da presença de corpos livres articulares como o diagnóstico principal. Observando-se estes sintomas no início do processo de diagnóstico, não só pode auxiliar na realização de um diagnóstico diferencial, mas também ajudar a agilizar os exames complementares, além de especificar o tratamento.

Por outro lado, a dor que é retransmitida para as nádegas ou região trocanteriana ou que é sentida abaixo do joelho, muitas vezes indica uma fonte extra-articular de dor na virilha. Dois desses casos são originados na coluna vertebral e na articulação sacro-ilíaca. Os sintomas associados incluem fraqueza, parestesias, dormência, dores nas costas, e claudicação neurogênica. Os sintomas são muitas vezes agravados com espirros ou tosse, podendo variar com a postura. A radiculopatia lombar superior (L1 a L3) muitas vezes se manifesta como dor na virilha sem radiação distal.

Os pacientes também devem ser questionados sobre os distúrbios congênitos conhecidos, o uso de órteses na infância, as cirurgias pregressas que podem sugerir doenças como a displasia congênita do quadril, a  epifisiólise femoral, ou a doença de Legg-Calvé-Perthes.

A história de abuso de álcool, o uso crônico de corticoesteróides, as coagulopatias, as discrasias sanguíneas, os tumores, a doença inflamatória sistêmica, os infectados por HIV, as hiperlipidemias e a doença da descompressão devem levantar a suspeita de osteonecrose da cabeça femoral.

O histórico médico também deve incluir perguntas sobre as fontes de dor na virilha de causas não músculo-esqueléticas. A história de cirurgias pregressas, incluindo ortopedia, gastrointestinal, urogenital, ginecológica e procedimentos vasculares podem auxiliar no diagnóstico diferencial. Por exemplo, compressões nervosas e nevralgias pós-operatórias são causas frequentes e muitas vezes esquecidas de dor no quadril.

Nevralgias pós-operatórias resultantes do aprisionamento por sutura inadvertida ou traumatismo do nervo podem ocorrer já na 1a semana após a cirurgia. Nevralgias podem permanecer por meses a anos após a cirurgia, devido ao aprisionamento de um nervo no tecido cicatricial ou no desenvolvimento de um neuroma. A dor geralmente segue um padrão de distribuição do nervo e é descrita como queimação ou pontada com limitação funcional momentânea. A localização da cicatriz fornece pistas para a possível etiologia e os nervos envolvidos.

A dor na virilha de origem neural pode também ser encontrada nos pacientes submetidos à herniorrafias e histerectomias, embora também seja notado após a vasectomia, apendicectomia, cirurgias para remoção de tumores de tecidos moles e retirada de enxertos do osso ilíaco. Como exemplo, muitos casos de incisões baixas tipo Pfannenstiel transversais são realizados todos os anos em todo o mundo, e a dor neuropática crónica é observada em 12,3% a 33% destes pacientes.

As fontes de dor na virilha de causas não musculoesqueléticas também devem ser consideradas durante a história inicial e os pacientes encaminhados para os especialista adequados. As fontes gastro-intestinais geram habitualmente constipação, dor abdominal, alterações nos hábitos intestinais e perda de peso. Outras causas são as massas inguinais, a dor com esforço (levantar, espirrar ou tossir) e cirurgias de hérnia anteriores podem indicar hérnias inguinais ou femorais.  A dor suprapúbica acompanhada por disúria, urgência miccional e frequência aumentada sugerem uma infecção urinária, condição que quase metade de todas as mulheres vão experimentar pelo menos uma vez na vida.

A dor no flanco irradiada para a virilha, juntamente com hematúria sugere nefrolitíase. A epididimite, a orquite, e a torção testicular podem se apresentar de forma aguda com dor na virilha.

Há várias patologias ginecológicas que podem causar dor na virilha, dentre elas a endometriose que está presente em aproximadamente um terço dos casos. Geralmente associadas com o ciclo menstrual e a dispareunia (relações sexuais dolorosas) ou as difuldades no ato de defecar são comumente encontrados.

Nas mulheres grávidas, o ligamento redondo pode ser uma fonte de dor na virilha, normalmente durante o segundo e terceiro trimestre de gravidez. A dor é localizada no quadrante inferior direito do abdômen e é descrita como aguda e em pontada, com irradiação para a virilha. A gravidez ectópica, os cistos ovarianos dolorosos, os cistos ovarianos rotos, a doença inflamatória pélvica e a torção do ovário são outras fontes de dor na virilha aguda na mulher.

A história ocupacional e as atividades de lazer e esportes devem ser explorados na história clínica. Também deve ser incluída a história de traumatismos pregressos.

Muitos tipos de esportes têm sido associados com um risco aumentado de desenvolver a osteoartrite do quadril precocemente, que pode causar dor na virilha no paciente jovem e ativo. Incluem-se os esportes de resistência, que exigem contínua carga repetitiva das articulações que suportam peso, os esportes coletivos (futebol, hóquei no gelo, basquete), que envolvem carregamento de alto impacto frequente e esportes de potência (levantamento de peso), onde as forças extremas são

aplicadas em toda a articulação do quadril. Aproximadamente 25% da população mundial poderá desenvolver a osteoartrite sintomática do quadril antes da idade de 85 anos.

As fraturas com arrancamento ósseo são comumente vistos em adolescentes que participam de esportes que envolvem movimentos como chutar, rápida aceleração/desaceleração e saltar (futebol, rugby, hóquei no gelo , ginástica, corrida). Meninas e mulheres envolvidas em esportes de resistência têm uma maior propensão para as fraturas por estresse pélvicas e, portanto, o médico deve ter um alto índice de suspeita para estas lesões.

Ao sentir dor na virilha procure um especialista!

Dr. Cristiano frota de Souza Laurino

A bursite trocantérica do quadril

As bursas são bolsas revestidas internamente por uma membrana chamada de “sinovial”. São capazes de produzir um líquido viscoso, com características de gel, chamado de líquido sinovial.

A principal função de uma bursa é contribuir para a proteção de choque e redução das pressões e o atrito entre duas estruturas vizinhas (tendões, ligamentos e ossos).

A bursa trocantérica localiza-se fora da articulação do quadril, mais precisamente entre uma grande saliência óssea do fêmur (trocânter maior) e a banda iliotibial.

A bursite trocantérica é um processo inflamatório da bursa e pode ser encontrada em todas as pessoas e não somente em atletas. Mulheres corredoras são mais sujeitas ao aparecimento da bursite trocantérica.

O sintoma mais frequente é a dor localizada na região lateral do quadril, podendo ser acompanhada de inchaço local, vermelhidão de pele e dor ao toque. O paciente também sente dificuldades para dormir apoiado sobre o lado da inflamação.

 

Os sintomas são de instalação progressiva durante a corrida e geralmente surgem com o tempo. A dor pode limitar os movimentos do quadril durante a aterrissagem de uma passada e nos casos mais intensos, interromper a corrida.

A bursite também pode ter instalação aguda quando ocorrem traumatismos diretos sobre o quadril durante as quedas. A inflamação é imediata da bursa, promovendo a distensão de suas paredes pelo aumento de produção de líquido.

Algumas doenças reumáticas, como a gota e a artrite reumatóide, podem se manifestar como bursites. Alguns ferimentos de pele infectados podem vir acompanhados de bursites nas áreas próximas.

O diagnóstico abrange uma avaliação médica baseada na história clínica, exame físico e exames de diagnóstico por imagem. O exame físico pode revelar um inchaço local (aumento do volume da região lateral do quadril), palpação e movimentação dolorosa do quadril.

O diagnóstico por imagem é realizado através dos exames de ultrassonografia e por ressonância magnética. A ultrasonografia permite identificar as bursas e determinar suas dimensões, além de revelar algumas características de seu conteúdo, enquanto que a ressonância magnética possibilita uma identificação mais anatômica da bursa, além de afastar outros diagnósticos, como as lesões articulares e as sinovites. A imagem de distensão da bursa com o acúmulo de líquido confirma o diagnóstico. As radiografias simples do quadril em duas posições são geralmente normais.

O tratamento baseia-se na redução do processo inflamatório com medicação antinflamatória, infiltração de corticosteróides por prescrição médica, métodos de fisioterapia e punções aspirativas. A redução das atividades esportivas é necessária para que haja a redução do processo inflamatório.

Nos casos recidivantes o tratamento cirúrgico com ressecção da bursa pode ser indicado

Bons treinos !

Dr. Cristiano Frota de Souza Laurino

Dor na virilha após corrida pode indicar problemas no quadril

Se a dor na virilha for recorrente pode ser sinal de um problema mais grave, conhecido como síndrome do impacto no quadril.

É comum o corredor sentir aquela dorzinha na região da virilha após um treino mais forte ou uma prova. Se o incômodo for recorrente, porém, o atleta deve ficar atento, pois também pode ser sinal de um problema mais grave, conhecido como síndrome do impacto no quadril.

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